Pesquisa testa microrganismo para remover partículas plásticas do organismo.
Em 30 segundos
- Cientistas estudaram uma bactéria comum em alimentos fermentados.
- O microrganismo mostrou capacidade de se ligar a nanoplásticos em laboratório.
- Testes em animais indicam maior eliminação dessas partículas pelas fezes.
Imagine que os nanoplásticos são aquelas visitas indesejadas que aparecem na sua casa sem avisar e decidem se espalhar por todos os cômodos. Eles estão na água, no ar e até nos alimentos que consumimos todos os dias. Agora, imagine que cientistas encontraram um pequeno ajudante natural que pode conseguir convencer essas visitas a irem embora. É exatamente essa a proposta de uma nova pesquisa científica que investiga como certas bactérias podem interagir com essas partículas invisíveis que poluem o nosso planeta e entram nos nossos corpos.
A grande novidade é que pesquisadores descobriram que a bactéria Leuconostoc mesenteroides CBA3656, que vem de alimentos, tem uma capacidade notável de realizar a chamada biossorção de nanoplásticos. Em termos simples, essa bactéria funciona como uma espécie de imã microscópico ou uma esponja biológica que consegue se agarrar aos pedacinhos de plástico. O mais interessante é que essa união aconteceu de forma eficiente em várias condições diferentes de laboratório, mostrando que o micro-organismo é resistente e versátil quando o assunto é encontrar plástico para se colar.
Como os cientistas chegaram nisso
Para entender se essa bactéria tinha mesmo utilidade prática, a equipe responsável pelo estudo desenhou uma série de testes rigorosos em laboratório. O trabalho envolveu experimentos de biossorção in vitro, que é basicamente colocar a bactéria em contato com os nanoplásticos em tubos de ensaio para ver o que acontece. Os cientistas testaram várias concentrações de plástico, variando de 10 a 200 ppm, para ver se a bactéria aguentava tanto excesso.
Além disso, o estudo avaliou a resistência do processo em diferentes níveis de acidez, usando uma faixa de pH que foi de 3 até 9, o que simula desde ambientes mais ácidos até os mais alcalinos. As temperaturas também foram testadas de forma ampla, indo de 4 a 55 °C, para garantir que o micro-organismo continuasse ativo em cenários variados. Depois dessa etapa em tubos, os pesquisadores avançaram para experimentos in vivo utilizando animais sob fluido intestinal simulado. Os resultados mostraram que a presença da bactéria ajudou a melhorar de forma significativa a excreção fecal dos nanoplásticos, facilitando a limpeza dessas partículas pelo organismo.
Calma lá
Antes de você sair correndo para procurar suplementos ou mudar radicalmente a sua dieta apostando em alimentos fermentados para fazer uma faxina plástica no corpo, é bom respirar fundo e olhar os fatos com cautela. Todo este trabalho foi feito em modelos laboratoriais e em animais, o que significa que estamos apenas no começo da jornada científica.
Ainda existe uma distância enorme entre observar um fenômeno em tubos de ensaio ou organismos não humanos e garantir que o mesmo vai acontecer no corpo de uma pessoa de carne e osso. A comunidade científica precisa realizar muitas outras investigações antes de pensar em qualquer aplicação prática para humanos ou para o meio ambiente. Portanto, os dados servem para abrir uma porta interessante para o futuro, mas não dão passe livre para pular etapas na medicina ou na nutrição.
O que isso muda na sua vida
Na prática do seu dia a dia, absolutamente nada muda por enquanto. Se você leu sobre essa pesquisa e pensou que agora pode consumir qualquer coisa ou que existe um método pronto para purificar o seu corpo contra a poluição plástica, é melhor ajustar as expectativas. Trata-se de uma investigação preliminar e de laboratório, feita para expandir o conhecimento científico sobre como lidar com o lixo que produzimos e consumimos.
Ninguém deve alterar a dieta, usar produtos específicos ou modificar tratamentos de saúde com base nesses achados recentes. Continuar com hábitos saudáveis, beber água filtrada e prestar atenção na qualidade da alimentação continuam sendo as melhores recomendações gerais, enquanto os cientistas seguem trabalhando nos bastidores para entender se essa ideia vai sair do papel e virar algo útil para a nossa saúde no futuro. O estudo foi publicado no periódico Bioresouce Technology por pesquisadores ligados à National Research Council of Science & Technology.
Referência
LEE, J. et al. Efficient biosorption of nanoplastics by food-derived lactic acid bacterium. Bioresource Technology, v. 447, p. 134234, 2026. DOI: https://doi.org/10.1016/j.biortech.2026.134234. Acesso em: 24 set. 2026.
Fontes:
Aviso médico
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.
